terça-feira, 19 de maio de 2009

O exorcismo de meus 15 anos – Parte Um

Lembro de quantas vezes ouvir uma música cheia de sintetizadores me enchia de vida e coragem para enfrentar o mundo. Algumas continuaram nos meus ouvidos por mais tempo que outras, por culpa de se tornarem ligada a épocas da minha vida ou por terem se tornado datadas ou mesmo esquecidas. Músicas são como amigos – é sempre uma ótima surpresa reencontrar um velho amigo, o qual você não via a muito tempo.

Não sei porque, gostava – e ainda gosto – de bandas com os ritmos frenéticos e robóticos, sintetizadores, baterias eletrônicas. A algum tempo conclui que é culpa dos japoneses e seus seriados de heróis, com suas músicas de abertura que desde minha infância me bombardeiam – covardemente como vingança de Hiroshima – com músicas alegres e dançantes, sempre sintetizadas.

Inverno de 2003. Cabeça cheia de hormônios e espírito jovem pulsando. Bebia depois da aula com meus amigos, jogávamos conversa fora, eu ficava apaixonado – ah nostalgia bastarda – e passava muito tempo pensando numa época que não vivi, apenas nasci.

Muitos jovens hoje entraram na onda ‘Retrô’, assim como eu, mas desconheço os motivos. Talvez os dias passados pareçam sempre melhores. Tuas histórias, assim como bons vinhos, ficam melhores depois de anos, escondidas no porão, esperando para serem apreciadas um dia. Prefiro assim.

Algumas bandas marcaram minha vida, como exemplo Joy Division e David Bowie. Mas músicas marcaram acontecimentos e ainda hoje evocam tais sensações. Saudade é a mais forte delas, claro. Saudade de horas desperdiçadas em praças, entre cervejas, vodcas e cigarros.

X-Mal Deutschland é uma banda alemã, da chamada Deutsche-Welle (ou Onda Alemã, saída da New Wave inglesa). Não posso dizer que sou fã da banda, pois estaria mentindo descaradamente para você, leitor. Mas sou, isso tenho a segurança para afirmar, fã incondicional da música Matador. Ela me remete, sempre, a um tempo onde eu gostava de deitar no banco da praça perto da minha escola, olhar o céu e não fazer nada. Me lembra do tempo em que eu era melancólico sem causa - claro, eu só tinha 15 anos(!). Me lembra chances desperdiçadas, coração partido e ônibus frios de volta pra casa. Cemitérios, praças, areia. Aquela voz gélida, potente como uma navalha afiada.

As palmas na introdução lacerante da música The Metro, da banda Berlin – que é muito mais do que Take My Breath Away, aka música do Top Gun – realmente expõem feridas nunca cicatrizadas da minha adolescência. Nunca havia andado de metrô até os meus 18 anos, não que isso tenha ligação com meus sentimentos. Passava as tardes chuvosas ouvindo essa música e jogando Mega Drive. E agora, a vida é outra.

Enfim, tenho demônios demais em minhas costas para continuar esse texto agora.



Clipe de Matador - X-mal Deutschland

Um comentário:

  1. Oi, eu na verdade só passei pra dar um oi mesmo. Vi nos perfis pessoas que gostavam de fellini e vc apareceu, achei isso incrível. Incrível que existam pessoas assim. Acho importante.

    O blog é legal, gostei muito dessa crônica. Espero pela parte 2!

    ResponderExcluir